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Nem a pandemia reduziu a destruição da Mata Atlântica

27/05/2022 – O Brasil comemora nesta sexta-feira (27) o Dia Nacional da Mata Atlântica. A data é uma referência a 27 de maio de 1560, quando o Padre Anchieta assinou a Carta de São Vicente, documento no qual descreveu, pela primeira vez, a biodiversidade das florestas tropicais nas Américas.

O ecossistema é um dos mais ameaçados do mundo. Nem a pandemia foi capaz de conter a sua destruição. Entre 2020 e 2021, anos de distanciamento social mais intenso, o desmatamento do bioma aumentou 66% na comparação com 2019. Os dados são da mais recente edição do Atlas da Mata Atlântica, divulgada nesta quarta-feira, 25, pela fundação SOS Mata Atlântica.

A Mata Atlântica abrange as maiores cidades e regiões metropolitanas do Brasil. Nela, moram mais de 145 milhões de pessoas. Mais de 80% da produção econômica nacional é gerada nessa região, considerada o centro socioeconômico do país. Todavia, a vegetação remanescente ocupa cerca de 29% da área de cobertura vegetal original do bioma.

O governo Bolsonaro é diretamente responsável por essa tragédia. “A política neoliberal do desgoverno nazifascista, com o aval dos parlamentares de direita e extrema direita no Congresso Nacional, tem adotado uma estratégia de desmonte do Estado brasileiro como um todo, numa concepção privatista que retira direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, alerta Antônio Capila Sobrinho, Coordenador de Políticas Sindicais do SINTSEF-BA. A mesma condução desastrosa que observamos na saúde, educação, agricultura familiar, Reforma Agrária, também se estende à gestão ambiental.

O próprio presidente deslegitima a política ambiental e suas regras e sucateia os órgãos ambientais, como Ibama e ICMBio. Isso acontece, por exemplo, quando ele questiona o que chamou mentirosamente de “indústria da multa” e comemora que as autuações caíram. Tudo isso enfraquece o órgão ambiental e na prática tira deles o poder.

“O enfraquecimento da política ambiental não é feito só com as boiadas do ex-ministro Ricardo Salles. Esse discurso geral de enfraquecimento contra a fiscalização é o ponto mais forte. O fiscal se sente deslegitimado, e a população também passa a vê-lo como uma figura que atrapalha. O presidente faz isso o tempo todo e não vai parar até o final do governo, tenho certeza”, afirmou Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, em entrevista ao Jornal Brasil de Fato.

Além de intensificar a fiscalização e fortalecer os órgãos responsáveis, é preciso criar projetos que ajudem a conservar o bioma e sua biodiversidade, capazes de contribuir para a conservação da fauna e flora, sem perder de vista a sustentabilidade, para melhorar a qualidade de vida da população. (com informações da Carta Capital, Brasil de Fato e  ICMBio)

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