Os trabalhadores e trabalhadoras da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) na Bahia decidiram, em assembleia realizada pelo SINTSEF-BA na manhã desta quarta-feira (08/04), pela suspensão da greve nacional da categoria, iniciada no último dia 30 de março. A decisão levou em conta o cenário jurídico e político, especialmente o início do período de restrições eleitorais, que impede estatais de concederem reajustes salariais com ganhos reais, além do risco iminente de judicialização do movimento no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Durante audiência de conciliação realizada na terça-feira (07/04), a empresa reapresentou proposta já conhecida, sem avanços significativos. Entre os pontos estão o reajuste de 100% do INPC a partir de 1º de junho, manutenção das cláusulas do ACT vigente, inclusão de 14 novas cláusulas sociais e o compromisso de recorrer da decisão que rejeitou o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), embora este não integre o acordo coletivo. Também houve impasse sobre os dias parados: a empresa recuou parcialmente e propôs compensação de 50% das horas, mantendo metade sem desconto.
A avaliação das entidades sindicais, como a CONDSEF/FENADSEF e o SINTSEF-BA, é que não havia margem para novos avanços nas condições atuais. Desde o início da mobilização, já se alertava para os riscos de o movimento ser levado a dissídio coletivo, o que transferiria a decisão para o Judiciário, historicamente menos favorável aos trabalhadores, sobretudo após a contrarreforma trabalhista.
Para o SINTSEF-BA, a suspensão da greve não representa o fim da luta, mas uma estratégia diante da conjuntura, Elton Leonardo Oliveira, trabalhador da EBSERH, membro da Comissão de Negociação da Condsef/Fenadsef e Coordenador de Políticas Públicas do sindicato, afirmou:
A categoria demonstrou força e unidade ao longo de todo o movimento. A suspensão da greve, neste momento, é uma decisão responsável, que preserva nossa capacidade de organização e evita um desfecho imposto pelo Judiciário, que poderia ser ainda mais prejudicial. Seguiremos mobilizados e atentos à continuidade das negociações.
Mesmo com a suspensão, o clima entre os trabalhadores segue de insatisfação, diante da ausência de avanços concretos nas negociações. As entidades reforçam que a mobilização continuará sendo fundamental para pressionar por melhorias nas condições de trabalho e valorização da categoria..
Acesse a página da Condsef/Fenadsef e confira mais informações sobre o fim da greve.
(com informações da CONDSEF/FENADSEF)
