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CUT denuncia à OIT tentativa de esvaziar fim da escala 6×1 e enfraquecer direitos

21/06/2026 – As centrais sindicais brasileiras entregaram à Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça, uma carta em defesa do fim da escala 6×1, da redução da jornada sem redução salarial e do fortalecimento da negociação coletiva. O documento foi apresentado na semana passada, durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho e é assinado pela CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB.

A carta denuncia os riscos da Proposta de Emenda à Constituição nº 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho, que prevê a possibilidade de contratos baseados em horas efetivamente trabalhadas, com prevalência de acordos individuais sobre instrumentos coletivos. Para as centrais, a proposta tenta interferir no avanço do debate sobre a redução da jornada no Brasil e pode esvaziar a luta pelo fim da escala 6×1.

As centrais denunciaram que a proposta cria condições para a fragmentação da jornada, a instabilidade da renda e a proporcionalização de direitos sociais historicamente vinculados à proteção do trabalho digno. Na prática, o trabalhador poderia ser chamado apenas quando houvesse demanda do empregador, sem garantia de uma jornada mensal fixa e com remuneração restrita às horas de serviço efetivo.

A medida também enfraquece a negociação coletiva, uma vez que desloca o centro das relações de trabalho para acordos individuais entre empregado e empregador. Para as entidades, esse modelo ignora a desigualdade estrutural entre patrões e trabalhadores e abre espaço para que direitos sejam reduzidos sob pressão econômica.

Na carta entregue à OIT, as centrais ainda afirmam que a PEC 12/2026 contraria princípios das Convenções nº 98 e nº 154, ratificadas pelo Brasil, que tratam da proteção à organização sindical e da promoção da negociação coletiva. O documento também aponta que o debate sobre jornada, descanso e remuneração precisa respeitar o princípio fundador da OIT de que trabalho não é mercadoria.

As centrais solicitaram que a OIT acompanhe a tramitação da PEC 12/2026 e avalie seus impactos sobre a liberdade sindical, a negociação coletiva, o diálogo social e os direitos da classe trabalhadora. O movimento sindical seguirá mobilizado para pressionar o Senado e impedir que a pauta da redução da jornada seja substituída por uma proposta que amplia a precarização.

(Fonte: CUT)

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