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Maio de luta: Malês, uma outra revolta

14/05/2022 – A Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), entidade parceira do SINTSEF-BA, relança neste sábado, 14 de maio, nas redes sociais, a Campanha “IMPLANTAÇÃO DE SÍMBOLOS REFERENCIAIS DA REVOLTA DOS MALÊS NA BAHIA” (clique aqui e confira manifesto em anexo) , em que defende essa implantação no Campo da Pólvora, no Centro de Salvador, sítio da luta e fuzilamento de quatro heróis dessa Revolta. Bem como a renomeação da estação do metrô local para “Estação Campo da Pólvora – Malês”. A ideia é recontar a história dessa insurreição e marcar a praça de forma similar ao que foi feito na Praça da Piedade, com os bustos dos líderes da Revolta dos Búzios. A Revolta dos Malês ocorreu na Bahia em 1835 e buscou a libertação de todos os escravos de religião islâmica (os malês, como eram chamados); a garantia da liberdade de culto; a luta por justiça social. 

Ao destacar a visibilidade desse levante, a campanha pretende destacar a importância da resistência e organização das lutas da população negra que marcaram a nossa história e ajudaram a construir a identidade que temos hoje.

Também a data não é gratuita: o 14 de maio é simbólico, por representar o dia seguinte à falaciosa abolição da escravatura no Brasil. Uma “abolição” celebrada apenas para os brancos, para os dominantes, para os “donos do poder”, pois, na prática, ao contrário do que foi ensinado por muito tempo nos livros escolares oficiais, não trouxe qualquer forma de compensação para os negros, como acesso à terra e à moradia. Eles ainda precisavam disputar as vagas de trabalho com os brancos e imigrantes – que, sem dúvida, levavam mais vantagem para o emprego por conta de sua origem social ou, sobretudo, por não carregarem o peso da escravidão recente.

Em função disso, o movimento negro recusa-se a reconhecer o 13 de maio sob qualquer aspecto, até mesmo para contestá-lo, preferindo silenciar-se e marcar outras datas, como o 14 de maio ou o 20 de novembro, como simbólicas de lutas contra a escravidão, o racismo e suas marcas perversas que perseveram até os dias de hoje. “Faz mais sentido pensarmos o 14 de maio como ‘o primeiro dia do resto de nossas vidas’”, afirma Erilza Galvão, Coordenadora de Formação do SINTSEF-BA e Secretária de Gênero, Raça, Juventude e Orientação Sexual da CONDSEF/FENADSEF.

Para ela, o dia 14 e o exemplo dos Malês não podem ficar presos às páginas da História Oficial e devem ser apresentados às novas gerações como ainda atuais. “Os reflexos ainda estão vívidos e latentes na luta cotidiana, árdua, desigual por moradia, alimentação, saúde, educação, saneamento e segurança, por exemplo, ou em nossa luta para sair da invisibilidade, da discriminação, da desvalorização, da coisificação”, observa.

Os temas em debate hoje na sociedade, como a defesa da democracia, a participação política, o processo eleitoral e a disputa de projetos para o país, têm relação direta com nosso passado histórico, que não pode ser esquecido.

1 comentário em “Maio de luta: Malês, uma outra revolta”

  1. Celia Maria Silva Souza

    Fico muito honrada em ser “APRENDIZ” DE ERILZA GALVÃO. História contada com responsabilidade… Caminho qur segue as “PEDRAS”DA RESPONSABILIDADE COM A HISTÓRIA , com a CIDADANIA.
    Dialogar, entender, construir…
    LUTA #14DEMAIO

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