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Alta no preço de alimentos essenciais traz a fome aos lares brasileiros

17/08/2022 – É cada vez maior o número de produtos essenciais deixados na boca do caixa dos supermercados por consumidores que não têm como pagar pelos altos preços cobrados. Quando a inflação começou disparar e alcançou dois dígitos em setembro de 2021, os produtos descartados eram aqueles considerados supérfluos. Mas a alta nos preços dos alimentos só piorou e o governo de Jair Bolsonaro (PL) nada fez para controlar a escalada da inflação. O resultado é que a inflação dos alimentos, incluindo os da cesta básica, atingiu 14,72% no acumulado de 12 meses, de julho do ano passado a julho deste ano, segundo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com isso, as famílias brasileiras começaram a descartar na boca do caixa até itens fundamentais para uma nutrição equilibrada como feijão, arroz, leite, café, carnes, óleo, açúcar, entre outros.
 
A pilha de produtos deixados no caixa pelo consumidor é a medida concreta do tamanho da crise que vivenciamos hoje. O volume é quase 16,5% maior que o do primeiro semestre do ano passado. A crise econômica, aliada à queda da renda, desemprego, informalidade e a falta de políticas públicas do governo federal começou a afetar as famílias brasileiras desde o golpe de 2016, se agravou com a pandemia e virou um caos com a gestão desastrosa da dupla Bolsonaro/Paulo Guedes, seu ministro da economia.

Uma reportagem da Folha de São Paulo mostrou que, diante da incapacidade das pessoas de comprar produtos como leite, frios ou frango, os supermercados estão vendendo alternativas com menor valor nutricional ou até mesmo sobras, como restos de frios, feijão partido, carcaça e pele de frango.

Além da escalada da inflação, os salários ou estão congelados, como no caso dos servidores públicos federais (algumas carreiras estão desde 2017 sem reposição salarial), ou são reduzidos quando o trabalhador fica meses e meses desempregado e consegue se recolocar ganhando menos ou vêm de bicos, que podem ou não aparecer a cada mês.

Entidades como a CUT, a CONDSEF/FENADSEF e o SINTSEF-BA insistem que a estratégia do governo precisa mudar. Nesse contexto caótico em que estamos inseridos, é preciso redirecionar os recursos para incentivar a cadeia produtiva, além de facilitar o fornecimento e o consumo sustentáveis de comida nutritiva, que ajudarão a tornar a alimentação menos dispendiosa e mais acessível para todos.

No Brasil, as políticas públicas para o espaço rural tendem a priorizar a agricultura patronal, em detrimento dos agricultores familiares. Para Celso Fernandes, Coordenador de Comunicação e Imprensa do SINTSEF-BA e empregado da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) “é preciso inverter essa lógica, investir em segurança alimentar para a população, impedindo o desmonte de setores estratégicos do governo, como a própria CONAB, responsável pela política de estoques reguladores de alimentos, que minimiza as incertezas e os riscos relacionados às oscilações de mercado e que vem sendo abandonada em favor do agronegócio”, afirma. E conclui: “o fortalecimento do serviço público é um ato em defesa da cidadania plena”.

(com informações da CUT)

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