25/09/2026 – Na corrida eleitoral de 2026, mais uma vez chama a atenção a diferença de tratamento conferida pelos dois principais candidatos à Presidência da República aos direitos das mulheres. É importante lembrar que o voto feminino tem peso significativo no pleito, já que as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro: 52,84%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por um lado, temos o presidente Lula, candidato à reeleição, que se posiciona com firmeza contra a violência e a sobrecarga de trabalho a que as mulheres são submetidas. O tema voltou a ganhar espaço em seus discursos, dessa vez na Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira (22). Ele se posicionou a favor do fim da escala 6×1, que beneficiará principalmente as trabalhadoras, e destacou que a luta contra o feminicídio é de todo o mundo.
“O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família”,
destacou o presidente Lula.
“No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres. Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho”.
Assim como na plataforma política da sua candidatura, também na gestão o governo Lula se mostra disposto a enfrentar a questão: no dia 4 de fevereiro deste ano em uma iniciativa inédita que uniu os Três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), além de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas foi assinado o “Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio” para enfrentar a violência de gênero no país.
Por seu turno, o candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, além de estar aliado a figuras que notavelmente atacam mulheres e desprezam suas conquistas, como seu próprio pai, Jair, se opôs a propostas legislativas como o projeto de lei de combate à misoginia, que incluiu o ódio, desprezo, aversão ou preconceito extremo direcionado a mulheres no rol dos crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei do Racismo (7.716/1989). A proposta define misoginia como condutas que manifestam ódio ou aversão a mulheres, baseadas na crença da supremacia do gênero masculino.
Embora tenha votado a favor no Senado, ele posteriormente declarou que o seu grupo político atuaria para rejeitar a proposta na Câmara Federal. Durante a votação pelos deputados, o seu partido, o PL, foi o principal articulador contra o projeto no formato atual. A liderança do partido orientou oficialmente o voto contra o regime de urgência, sob a justificativa de que o texto poderia abrir margem para censura de opiniões ou perseguição de teor religioso e político. O texto do PL 896/2023 altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia (definida como o ódio ou aversão às mulheres) no mesmo enquadramento jurídico.
Em discursos, membros de sua ala política desqualificaram a Lei Maria da Penha, ao dizerem que por si só, seria “apenas um pedaço de papel” e não bastaria para garantir a defesa real das mulheres na prática. O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, ligado à família de Flávio Bolsonaro e notório defensor de sua candidatura, declarou em junho de 2026 que as mulheres “votam estatisticamente muito mal”, afirmando que solteiras teriam um comportamento autônomo indesejado e casadas acompanhariam os maridos.
Em 2022, mais de 16 milhões de mulheres deixaram de ir às urnas. O voto da mulher não é só um direito, mas uma conquista de muita luta. É poder, transformação e coragem. É preciso atenção para não eleger quem lhe despreza. Precisamos ampliar a participação feminina na política e isso só se conquista pelo voto. Vote para fazer valer a sua vida, sua voz e sua liberdade.
(com informações da CUT e Brasil de Fato / Imagem: CUT)
