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Mudanças climáticas entram na agenda sindical

21/01/2026 – As mudanças climáticas já impactam de forma direta a vida da classe trabalhadora. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2024, alerta que mais de 70% da força de trabalho do mundo está exposta a riscos graves à saúde em decorrência do aquecimento global. O calor extremo deixou de ser apenas um fator de desconforto e passou a interferir no bem-estar, na capacidade física e no desempenho laboral em ambientes como fábricas, ruas, transporte público e escolas, intensificando o cansaço e o adoecimento.

Diante desse cenário, os sindicatos passaram a incorporar o tema das mudanças climáticas em suas pautas de negociação. A avaliação das entidades é de que as condições térmicas nos locais de trabalho precisam ser tratadas como uma questão central nas convenções coletivas, já que afetam diretamente a saúde e a produtividade. Mesmo enfrentando resistência da patronal, os sindicatos destacam que a busca por soluções concretas para enfrentar o calor excessivo é uma disputa incontornável.

No serviço público, os impactos também são significativos. Ondas de calor mais frequentes, enchentes, secas prolongadas e o avanço de doenças relacionadas ao clima comprometem a saúde física e mental dos servidores, elevam os afastamentos e reduzem a capacidade do Estado de prestar serviços essenciais à população.

A situação é agravada pela falta de preparo da infraestrutura pública e pela insuficiência da legislação atual, que ainda trata o clima como um fator secundário. Prédios sem climatização adequada, ausência de protocolos específicos para trabalho em calor intenso e jornadas inflexíveis aumentam os riscos ocupacionais. Para Elton Leonardo Oliveira, coordenador de Políticas Públicas do SINTSEF-BA, esse cenário compromete o atendimento à população, especialmente em momentos de crise climática.

Por sua vez, a coordenadora de Saúde do Trabalhador do SINTSEF-BA, Lucinha Félix, reforça a urgência do tema:

O calor excessivo já adoece trabalhadores e precisa ser reconhecido como risco ocupacional. Proteger a saúde também é condição para garantir o serviço público. – Lucinha Félix, Coordenadora de Saúde do Trabalhador do SINTSEF-BA.

Ambos os dirigentes defendem a atualização das normas, a inclusão do risco climático nas políticas de saúde do trabalhador e medidas de adaptação que assegurem condições dignas de trabalho e a continuidade das funções essenciais do Estado.

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