15/12/2025 – Milhares de pessoas atenderam ao chamado das centrais sindicais e compareceram em massa na caminhada que lotou o trajeto do Cristo ao Farol da Barra, em Salvador, neste domingo (14), na luta contra a violência de gênero e a epidemia de feminicídios que assola o país. A manifestação marcou mais um importante momento de unidade e resistência do movimento sindical e dos movimentos sociais na Bahia. Convocada pelo Fórum Estadual de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais da Bahia (FEMT), a ação reuniu trabalhadoras, trabalhadores e ativistas em um ato público forte, visível e carregado de significado, reafirmando que o enfrentamento ao feminicídio é uma urgência social e política.
Com o lema “Mulheres Vivas, Livres e Sem Medo!”, a mobilização denunciou a escalada da violência de gênero no país, a persistente impunidade que cerca grande parte desses crimes e a omissão do Estado diante de uma das mais graves violações de direitos humanos da atualidade. Ao ocupar um dos cartões-postais mais simbólicos da capital baiana, o ato deu voz à indignação coletiva e à exigência por políticas públicas efetivas de prevenção, proteção e acolhimento às mulheres.
Presente na atividade, a direção do SINTSEF-BA destacou que a luta contra o feminicídio não pode ser tratada como pauta secundária.
“Defender a vida das mulheres é defender a dignidade humana e o direito de todas e todos a viver sem medo. O movimento sindical tem um papel fundamental nessa luta, pressionando o poder público, denunciando a violência e construindo redes de solidariedade e proteção”,
Afirmou a Coordenadora Geral do SINTSEF-BA, Erilza Galvão, ressaltando a importância da mobilização permanente.
Outro foco dos protestos de ontem foi o PL da Dosimetria, uma manobra aprovada na Câmara dos Deputados para favorecer Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas de 2022. A proposta impede a soma das penas pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, abrindo caminho para a redução do tempo de prisão. Com faixas e cartazes, os manifestantes exigiram a manutenção da prisão de Bolsonaro e criticaram duramente a postura do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), responsabilizando o Parlamento por um grave retrocesso democrático. A mobilização ressaltou que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes, incluindo 8 anos e 2 meses por golpe de Estado e 6 anos e 6 meses por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, e alertou que o projeto aprovado ameaça a justiça e reforça a impunidade. O SINTSEF-BA reforça seu compromisso com as bandeiras levantadas pelo FEMT e seguirá atuando de forma articulada para que a pauta do combate à violência de gênero avance, dentro e fora dos locais de trabalho. A mobilização no Farol da Barra mostrou que a sociedade não aceita mais o silêncio, a naturalização da violência e a impunidade — e que a luta por mulheres vivas, livres e sem medo continua, todos os dias.
