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Eventos celebram o Dia da África

25/05/2022 – Neste dia 25 de maio comemora-se o Dia da África ou o Dia da Libertação Africana, uma data para toda população negra no mundo relembrar um legado de determinação na luta. Na Bahia, a data será celebrada em algumas atividades online e presenciais. A Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), entidade parceira do SINTSEF-BA, realiza logo mais às 19h o Webato de lançamento virtual da Campanha Nacional Voto Negro Consciente. Destinada à população negra, ativistas, organizações negras e movimentos sociais, a campanha quer destacar a importância de eleger o ex-presidente Lula para presidente da República, além de promover candidaturas negras comprometidas com a luta e criar núcleos nas capitais e demais municípios.

A programação será transmitida pelo link https://us02web.zoom.us/j/5239590591?pwd=NGNROXFIY3JMcU5GeGV6K0lOaWdRdz09 e terá os seguintes destaques: * Abertura : O Reggae Volta Lula * O Dia da Libertação Africana * A Campanha e seus objetivos * Pronunciamentos * A Realidade da população negra no Brasil * Debates * Encerramento.  

Também integrando as homenagens ao Dia da África, o Núcleo Cultural Casa de Angola na Bahia abrigará na próxima quinta-feira, 27/05, às 17h, a Roda de Conversa com o tema “A ciência africana e afrodiaspórica e sua contribuição para os novos tempos”, apresentado pela professora Bárbara Carine, e “Brasil, 6ª região africana, perspectivas e desafios”, ministrado pelo pesquisador panafricanista Gilberto Leal. O evento é aberto ao público com entrada franca. A Casa de Angola fica na Praça dos Veteranos, 5, no centro de Salvador.

Mobilizados pelo ideal do pan-africanismo, líderes políticos de mais de 30 nações africanas se reuniram em Adis Abeba, Etiópia no ano de 1963, com o objetivo de formular ações de combate ao colonialismo europeu no continente africano. Em prol da emancipação dos povos africanos, a Organização da Unidade Africana (OUA) tinha entre suas diretrizes a luta contra o subdesenvolvimento africano e a promoção da integração e solidariedade africanas.

Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU), instituiu o dia 25 de maio como o Dia da Libertação da África. A data consagra os esforços de chefes de estado junto aos povos africanos pela soberania da África. Nesse período, 2/3 do território tinham conquistado a independência, enquanto a África do Sul, Rodésia e colônias portuguesas organizavam suas lutas pela libertação e enfrentavam a violência do apartheid. Em 1991, a OUA criou a Comunidade Económica Africana. Somente em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, organização em vigor atualmente.

A história da organização revela papel importante no apoio aos movimentos democráticos ao redor da África, bem como na sustentação das negociações políticas com o eixo europeu. Outras medidas consoantes aos princípios pan-africanos são: a reestruturação espacial do continente por meio de remanejamentos dos grupos étnicos, realocando grupos que compartilham da mesma cultura e separando grupos rivais, como forma de contornar as estratégias dos colonizadores europeus que, propositalmente, dividiam e mesclavam grupos oponentes, agravando as tensões político-sociais; restabelecimento das práticas religiosas; valorização das línguas nativas, sumariamente proibidas pelos colonizadores.

Apesar dos desafios de ordem prática, afinal de contas trata-se de 54 países de culturas, idiomas e políticas distintas, entusiastas do pan-africanismo acreditam que as marcas do colonialismo europeu e a herança diaspórica atuam como importante denominador comum na emergência de políticas públicas para África como um todo. Para o século XXI, a União Africana apresenta no seu escopo o incremento da produção agrícola e segurança alimentar, a definição de critérios mais rigorosos para manipulação dos recursos naturais e políticas públicas mais atentas às mudanças climáticas.

A colonização europeia do Continente Africano durou séculos e deixou um rastro de apagamentos epistemológicos de dezenas de etnias, além da extração de milhares de dólares em riquezas naturais, tráfico de seres humanos e invasão de terras habitadas há séculos por povos remanescentes das antigas civilizações africanas.

Para Antonio “Capila” Sobrinho, Coordenador de Políticas Sindicais do SINTSEF-BA, celebrar a data é importante para ressaltar os esforços da organização para o ingresso dos jovens ao mercado de trabalho, a luta contra o racismo e pela igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres, e o combate às doenças e às pandemias, que continuam a assolar com muito mais intensidade o continente africano.

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