04/08/2025 – Em celebração ao 25 de Julho – Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha – e ao 31 de Julho – Dia da Mulher Africana, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), em Salvador, foi palco de mais uma edição do Ípadê das Pretas, encontro político, cultural e formativo que reúne mulheres negras para fortalecer laços, partilhar saberes e reafirmar lutas históricas por igualdade, justiça e protagonismo.
Realizado pela CONEN-Mulher (Coordenação Nacional de Entidades Negras), o evento é uma tradição no calendário da luta antirracista e feminista da capital baiana. Em iorubá, “Ipadê” significa “reunião”, e o nome traduz perfeitamente a proposta do encontro: ser um espaço de encontros, formação e resistência.
Mais uma vez, o evento contou com a participação ativa do SINTSEF-BA, que foi representado por Erilza Galvão (Coordenação Geral) e Lucinha Félix (Coordenação de Saúde do(a) Trabalhador(a)). As dirigentes marcaram a importância da presença sindical nesses espaços de articulação política, especialmente quando se trata da luta de mulheres negras por direitos e reconhecimento.
Nesta edição, a homenageada foi a intelectual e ativista brasileira Lélia Gonzalez (1935-1994), lembrando os seus 90 anos de nascimento. Considerada a primeira mulher negra a se dedicar aos estudos de raça e gênero no Brasil, além de fonte de pesquisa e militância na área, sua trajetória é uma inspiração para a luta das mulheres negras na contemporaneidade.
Para Erilza Galvão, o Ipadê é mais do que um evento. É um encontro necessário para renovar nossas forças e nossas redes de apoio. Propõe reflexões pertinentes a partir das datas que destaca, que a princípio parecem pontuais, mas estão entrelaçadas. “Quando observamos o perfil da sociedade brasileira, por exemplo, pensamos na posição em que se encontram as mulheres nesse contexto e, mais especificamente, onde estão – ou onde NÃO ESTÃO – as mulheres pretas. Quando ocupamos um espaço de poder, é um espanto, como se fôssemos uma minoria da população – e não somos”, argumenta.
Já Lucinha Felix pontuou que “a saúde da trabalhadora negra está diretamente ligada à luta por condições dignas de trabalho, de vida e de representação nos espaços sindicais e institucionais”
O Ipadê das Pretas reafirma, ano após ano, o compromisso das mulheres negras com a transformação social, e reforça a urgência de políticas públicas que considerem suas especificidades, trajetórias e demandas. Para o SINTSEF-BA, mulheres negras movem este país e precisam estar no centro das decisões políticas. Através da participação, o sindicato assegura uma atuação sindical mais inclusiva, plural e conectada com as pautas da classe trabalhadora em sua diversidade.



