Arquivo de Notícias

ARQUIVO DE NOTÍCIAS

31/07/2019
Para exigir e defender direitos, 6ª Marcha das Margaridas chaga a Brasília no próximo dia 13.

31/07/2019 - Em meio ao cenário de ataques a direitos e violência institucional promovidos pelo governo Bolsonaro, a sexta edição da Marcha das Margaridas chega a Brasília em pleno Dia Nacional de Lutas, 13 de agosto. A maior e mais efetiva ação das mulheres da América Latina deverá reunir até 100 mil mulheres de várias regiões do país em 2019. Elas defendem um mundo de igualdade, liberdade e democracia.
 
A mobilização agrega trabalhadoras de diversas origens e atividades, como trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas e quilombolas, que ocupam as ruas da capital federal a cada 4 anos desde 2000 para dialogar com o governo federal sobre suas reivindicações. Mesmo diante da hostilidade evidente do governo para atendimento dessas pautas, as Margaridas seguem sem medo, na perspectiva de mostrar sua luta e qualificar o processo de construção de políticas públicas para as mulheres.
 
A Marcha das Margaridas é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), pelas 27 Federações de Trabalhadores na Agricultura (FETAGs) e pelos mais de 4 mil Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs), e por várias organizações de mulheres parceiras. Este ano, o evento também acontecerá graças a uma campanha de financiamento na internet que recebeu doações de várias partes do mundo.
 
Antes da caminhada, as pautas de reivindicação são debatidas nas comunidades de origem das trabalhadoras participantes e estruturadas em alguns eixos básicos, como: a proteção da biodiversidade e democratização dos recursos naturais; democracia, poder e participação política; educação não sexista; sexualidade e violência; saúde e direitos reprodutivos; terra, água e agroecologia; autonomia econômica, entre outros. Como se vê, as reivindicações atendem não somente as trabalhadoras rurais, mas a sociedade como um todo. 
 
Como representante dos servidores de 80% do Executivo Federal, inclusive dos lotados no ex-Ministério do Desenvolvimento Agrário, no Ministério do Meio Ambinete, no Ibama e na Funai, a Condsef/Fenadsef apoia a luta das mulheres do campo, da floresta e das águas, e reforça que um País sustentável só é possível com um Estado forte, com políticas públicas de qualidade e equipe técnica competente para isso.
 
Neste sentido, a Marcha das Margaridas é um caminho de resistência histórica. Sob o lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça social, igualdade e livre de violência”, a Marcha visa valorizar os modos de vida reproduzidos no campo, na floresta e nas águas. A ocupação de Brasília por estas mulheres é urgente para se construir uma sociedade livre de violências, por um país sem LGBTIfobia e sem intolerância religiosa, com direitos iguais. 

Para a Secretária de Gênero, Raça, Etnia e Opressões da Condsef/Fenadsef, Erilza Galvão dos Santos, também dirigente do SINTSEF-BA, as mulheres não baixarão a guarda, pois estão em jogo suas vidas, a sobrevivência da juventude, a democracia, o patrimônio do povo brasileiro, a agricultura familiar e os bens comuns da natureza. "O Brasil e a democracia, mais do que nunca, precisam da luta das Margaridas", comenta.
 

A escolha do nome Marcha das Margaridas e da data é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários da região. Por mais de dez anos à frente do sindicato, Margarida lutou pelo fim da violência no campo, por direitos trabalhistas como respeito aos horários de trabalho, carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas. Margarida dizia que “É melhor morrer na luta do que morrer de fome.”

 
(Com informações da CONDSEF/FENADSEF e EBC)