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25/07/2019
SINTSEF-BA alia lutas das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas à defesa de serviços públicos de qualidade.

25/07/2019 - Neste dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que destaca a força e a resistência dessas mulheres, dezenas de atos públicos marcarão a data em todo o país. O objetivo é celebrar a luta, a afirmação identitária e a defesa de políticas públicas sob a bandeira da igualdade de oportunidades. Ano após ano, as estatísticas confirmam a condição de vulnerabilidade social a que estão expostas essas mulheres, vítimas potenciais do racismo, do machismo, da violência e de tantas outras formas de opressão.
 
Em Salvador, foi programada para a tarde de hoje, a III MARCHA DAS MULHERES NEGRAS POR UMA BAHIA LIVRE, com concentração às 13:00 h. A caminhada percorre as ruas do centro da capital baiana, saindo da Praça da Piedade em direção ao Pelourinho, e conta com a organização dos Movimentos de Mulheres Negras da Bahia. Na tarde de ontem, 24/07, o SINTSEF-BA promoveu em sua sede uma Roda Conversa sobre o tema. A atividade foi a contribuição do sindicato para a agenda do Julho das Pretas, série de ações promovidas por diversas entidades que promovem o debate em torno de questões ligadas ao enfrentamento do racismo e machismo na sociedade brasileira. 
 
Dados do do Relatório Panorama Social de América Latina 2018, feito pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), apontam que a pobreza extrema na América Latina aumentou na última década. A pesquisa dá uma ideia das assombrosas dificuldades enfrentadas pelas mulheres numa sociedade patriarcal e culturalmente hostil a políticas igualitárias e progressistas, como a brasileira e a de boa parte do hemisfério sul, sobretudo após a ascensão do ultraliberalismo e das ideologias conservadoras de extrema direita, nos últimos anos.

O levantamento aponta um mercado de trabalho sexista, racista e LGTBfóbico. Em 2016 (ano em que as políticas de promoção da igualdade de gênero ainda prevaleciam em boa parte dos países), a taxa de desemprego era de 10,4% entre mulheres e de 7,6% entre homens. No mesmo ano, 48,7% das mulheres recebiam menos que o salário mínimo. Entre os homens o índice era 36,7%. A mulher negra segue vítima preferencial da violência domestica e ocupando a base da pirâmide social, nos setores mais precários do trabalho, e ganhando em média 45% a menos em relação ao homem branco e 30% a menos que a mulher branca. Essa verdadeira fratura social é o resultado visível das propostas neoliberais do chamado enfrentamento à crise, determinadas pelo capital financeiro internacional e apoiadas por governos e as elites econômicas do país. Na prática, longe de solucionarem os graves problemas sociais do país, essas políticas de "austeridade" levaram ao golpe que promoveu o impeachment em 2016 e mergulharam o Brasil em uma recessão profunda, cujo alvo principal continua sendo a população mais pobre, 
 
No governo Bolsonaro, infelizmente, a tendência é piorar: o que esperar de um presidente que se elegeu defendendo valores assumidamente misóginos, racistas e LGBTfóbicos? Segundo o IBGE, mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos, sendo que a cada dez pessoas, três são mulheres negras. Daí a importância de não recuar e investir na unidade das lutas. O problema de uma também é o problema de todos e todas.
 
É preciso insistir na luta, exigir nas ruas e nos fóruns de debates mais políticas públicas que confrontem essa realidade, que tragam a importância de defendermos (e reconstruirmos, se for o caso) juntos a série de políticas de enfrentamento da pobreza e das desigualdades, que vem sendo destruído pelo novo governo. O SINTSEF-BA, a CUT e a CONDSEF/FENADSEF defendem um modelo de desenvolvimento que reconheça as desigualdades, priorize a cidadania e a universalização do acesso a serviços públicos de qualidade, com foco especial na inclusão dessa parcela da população que vive em situação de pobreza. A defesa de conquistas sociais precisa ser vista como uma pauta prioritária de todos e todas, uma estratégia de resistência e sobrevivência para o futuro. Só assim honraremos o nome de Teresa de Benguela, líder quilombola do século XVIII que lutou por mais de 20 anos contra a escravidão e o pressão no Brasil, cujas ações também inspiram os atos do dia de hoje. 
 
(Com informações do Geledés)