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26/03/2019
Marcha do Silêncio repudia homenagens governistas à ditadura.

26/03/2019 - Lembrar para não esquecer, lutar para não mais acontecer. No próximo dia 01 de abril, trabalhadores, estudantes, sindicalistas, movimentos sociais e populares tomarão as ruas do país na Marcha do Silêncio, em homenagem às vítimas da ditadura militar brasileira. Em Salvador, a manifestação acontecerá na Praça da Piedade, às 14h. O protesto foi organizado horas após o governo brasileiro oficializar que orientou o Ministério da Defesa a celebrar o aniversário do Golpe Militar brasileiro também em 01 de abril.

Entre 1964 a 1985, após um golpe que destituiu o presidente João Goulart, legitimamente eleito, o Brasil passou a ser governado por militares que impuseram violência e repressão aos cidadãos. Aqueles que discordassem do regime eram exilados e perseguidos arbitrariamente. Muitos foram sequestrados, brutalmente torturados e estão hoje mortos ou desaparecidos.

Nesses longos 21 longos anos de ditadura militar, o Congresso Nacional foi fechado, diversos cidadãos tiveram seus direitos políticos cassados e a imprensa foi censurada, impedida de relatar esses abusos, a violência e os escândalos financeiros que também na aquela eram recorrentes no alto escalão do governo.

 A celebração do Golpe pelo governo brasileiro é uma afronta à memória das vítimas desse regime de exceção. Em 2018, a professora Lilia Moritz Schwartz lembrou em um artigo para ornal online Nexo que segundo o III Programa de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, publicado em 2010, estima-se que 20 mil brasileiros e brasileiras tenham sido submetidos à tortura. Nesse mesmo período, em torno de 434 cidadãos foram mortos ou dados como desaparecidos, 7.000 acabaram exilados e 800 foram julgados como presos políticos.

“Nenhum regime que namora com a ditadura tem a capacidade de animar o diálogo entre diferentes, produzir consensos e evitar radicalizações”, explicou Schwartz no texto. “Não existe unanimidade sobre qual seria a forma mais acabada de definir democracia. Mas igualdade, liberdade e Estado de direito fazem parte integral das bases desse regime”. Para ela, recordar, esses dados históricos nesse momento é um antídoto contra quem questiona valores básicos da democracia.

Ao homenagear torturadores e assassinos, o governo Bolsonaro anda mais uma vez na contramão da história. Os compromissos que qualquer nação democrática precisa ter são com o bem estar de seus cidadãos, a defesa dos direitos humanos e o respeito às leis e às instituições.