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21/02/2019
Em meio a protestos por todo o país, Bolsonaro entrega ao Congresso a proposta de Reforma da Previdência.

Atraso como projeto de Brasil
Em meio a protestos por todo o país, Bolsonaro entrega ao Congresso a
proposta de Reforma da Previdência

21/02/2019 - Trabalhadores de todo o país realizaram diversos atos de
protesto contra a proposta de Reforma da Previdência enviada ontem por
Bolsonaro ao Congresso Nacional. A proposta traz, entre outras
medidas, o fim da aposentadoria por tempo de contribuição e
implementação da obrigatoriedade de idade mínima para aposentadoria de
65 anos para os homens e 62 para as mulheres. Em Salvador, a CUT e
outras entidades estiveram no bairro Comércio, onde realizaram uma
Plenária Sindical de rua, em frente ao prédio da Previdência Social.
Dirigentes do SINTSEF-BA e da CONDSEF/FENADSEF também marcaram
presença em outros atos nacionais, como em São Paulo.

A luta dos trabalhadores é em defesa da Previdência Pública, do
direito de se aposentar e contra a reforma proposta pelo atual
governo, tendo em vista que não foi discutida com a classe
trabalhadora e é extremamente prejudicial para a sociedade.
Especialistas como Márcio Pochmann alertam que, num país em que um a
cada quatro brasileiros procura por emprego e avança na substituição
das vagas pelo progresso tecnológico, Bolsonaro propõe a quase todos
trabalhar mais e ganhar menos (se ganhar) pela “nova” previdência”.
Pochmann esclarece “tratar-se de uma visão de atraso como projeto de
Brasil”.

Se a proposta apresentada nesta quarta-feira (20) for aprovada pelo
Congresso Nacional, as mulheres serão as mais prejudicadas. Segundo a
professora de Economia e Relações do Trabalho da Unicamp (Cesit),
Marilane Teixeira, a proposta ataca diretamente a aposentadorias das
mulheres. Em entrevista à CUT, ela explicou que, pelas regras atuais,
uma mulher de 55 anos e com 25 anos de contribuição teria de trabalhar
mais cinco anos para se aposentar por idade e conseguir receber o
benefício integral. Ou seja, estaria aposentada aos 60 anos e com 30
anos de contribuição.

“Já pelas regras de transição propostas por Bolsonaro, que quer
implementar a idade mínima de 62 anos para as mulheres, essa mesma
mulher terá de trabalhar mais sete anos (55+7 = 62) para se aposentar
por idade. Ainda assim, ela só chegaria a 32 anos de contribuição
(25+7 = 32) e não se aposentaria com o benefício integral, que, pelas
novas regras, vai exigir, no mínimo, 40 anos de contribuição”, conclui
a professora.

“A mulher na faixa etária dos 55 anos ou menos será a mais
prejudicada. Se ela quiser se aposentar com benefício integral, terá
de trabalhar mais sete anos e continuar a contribuir por mais dez. Ou
seja, somente aos 70 anos de idade ela se aposentaria com salário
integral”, afirma Marilane Teixeira.
Já para um homem com 30 anos de contribuição e 60 anos de idade, pelas
regras atuais, faltam os mesmos cinco anos para se aposentar por idade
e tempo de contribuição. Ou seja, ele se aposenta aos 65 anos de idade
e 35 de contribuição com benefício integral.

Pelas mudanças feitas por Bolsonaro, esse homem para se aposentar com
o benefício integral terá de trabalhar somente mais cinco anos para
somar os 40 anos obrigatórios, já que as regras de idade não mudaram
para ele. “As mulheres abaixo de 56 anos serão as mais prejudicadas.
Ao longo da vida, elas já são as que se aposentam por idade porque não
conseguem atingir o tempo de contribuição mínimo que hoje é de 15
anos, imagine agora com a exigência de 20”, critica a economista.

Para a CUT e demais centrais sindicais que estão organizando a luta de
resistência, as propostas apresentadas hoje pelo governo confirmam a
avaliação de que, se essas medidas foram aprovadas, os trabalhadores e
trabalhadoras irão morrer sem se aposentar. É preciso resistir a esses
ataques. Junte-se a nós nessa grande mobilização para barrar mais uma
vez essa proposta nefasta.

(Com informações da CUT)