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25/01/2019
Resistência ao fascismo não enfraquecerá com a renúncia do deputado Jean Wyllys.

Resistência ao fascismo não enfraquecerá com a renúncia do deputado Jean Wyllys

25/01/2019 - A decisão do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) de renunciar ao seu novo mandato e deixar o país em razão de ameaças à sua vida aprofunda o estado de apreensão diante dos ataques à democracia que o Brasil enfrenta hoje, mas não enfraquecerá a resistência ao governo neofascista de Jair Bolsonaro. Desde ou assassinato de sua correligionária Marielle Franco, em março do ano passado, Wyllys vive com escolta policial. Com a intensificação das ameaças de morte e disseminação de notícias difamatórias a seu respeito, muito comuns antes mesmo do assassinato da vereadora carioca, o deputado tomou a decisão de deixar a vida pública.

Jean Wyllys tem uma trajetória de luta contra a intolerância em suas mais variadas manifestações.  Levou para a Câmara Federal a bandeira dos direitos humanos e do respeito às diferenças, o bastante para atiçar o fundamentalismo e o ódio da ultra direita. Este também é o principal eixo de resistência ao governo Bolsonaro (não por acaso, o próprio presidente, seus filhos e seguidores comemoraram a notícia nas redes sociais).

Essa resistência também é nossa. É a mesma bandeira de lutas do SINTSEF-BA, da CUT, CONDSEF e suas entidades filiadas, que alertaram aos seus filiados para os perigos de eleger Bolsonaro e desde sempre estão nas ruas para mudar a correlação de forças políticas vigentes em favor de um país livre, solidário e justo. Contrapondo-se ao ódio e a intolerância, defendemos um Brasil onde prevaleça o diálogo, o respeito e mais leis capazes de reduzir o abismo da desigualdade social.

Por isso mesmo, não nos calaremos diante da violência de gênero (de acordo com o Mapa da Violência de 2015, último levantamento quantitativo nacional sobre o assunto, o Brasil é considerado o 5º país do mundo com maior número de registros de violência contra a mulher: somente nesses 21 dias de 2019, 107 casos de feminicídio já foram registrados, uma média de cinco ocorrências por dia), do genocídio da população negra, pobre e periférica (a cada 100 pessoas assassinadas em 2017, 71 eram negras. Em sua grande maioria mulheres e jovens) e nem da homofobia (segundo pesquisa feita pela Grupo Gay da Bahia, a cada 19 horas, um(a) LGBT morre no Brasil por serem LGBTs).

Desde 2016, com o golpe jurídico, midiático e parlamentar, que depôs a presidenta Dilma Rousseff, o país vem sofrendo sucessivos ataques a direitos, congelando investimentos sociais, aprofundando o desemprego, as desigualdades e as violências. Isso nos levou a esse quadro verdadeiramente genocida de aniquilação das diferenças.

O Sintsef-BA lamenta a ausência de um importante aliado na Câmara. Solidarizamo-nos ao deputado e estaremos nas ruas lutando contra esse governo corrupto, oportunista e autoritário. Juntamente com centrais sindicais, movimentos sociais e populares e setores progressistas da sociedade seguiremos resistindo, cobrando a valorização do serviço público e de seus trabalhadores e articulando estratégias de enfrentamento. Não seja atropelado pelo retrocesso: junte-se a nós.