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20/11/2018
Dia da Consciência Negra – A barbárie não nos calará: resistiremos.

20/11/2018 - Neste dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, o SINTSEF-BA mais uma vez une sua voz à das entidades representativas da população afrodescendente brasileira, na luta contra a discriminação. O momento é de tensão, diante dos retrocessos anunciados pelo governo eleito para barrar os avanços institucionais nas lutas contra o racismo nas gestões dos presidentes Lula e Dilma, como a Secretaria Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), criada por Lula, em 2003; as cotas raciais; o Estatuto da Igualdade Racial; as cotas para ingresso no serviço público, entre outros.  

Se houve um progresso nas políticas públicas durante esse período, do outro lado cresceu também a reação conservadora: o pensamento racista perdeu a vergonha e tem se mostrando cada vez mais intenso. Exemplo maior dessa tendência vem justamente da eleição de Jair Bolsonaro, cujas declarações de campanha foram acolhidas pela maioria dos eleitores, mesmo sendo merecedoras do repúdio em sua combinação de violência, desrespeito e intolerância (“O afrodescendente mais leve pesava sete arrobas[unidade de medida para peso de gado]”; “Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”).

Por isso, se há algo a celebrar neste dia 20 de novembro, que seja a luta e a história de Zumbi dos Palmares, herói negro do tempo da escravidão, criador do célebre quilombo dos Palmares, foco principal e fundamental da resistência negra no Brasil. E RESISTÊNCIA será uma expressão chave para definir o Brasil dos próximos anos.

Haverá resistência para exigir políticas públicas capazes de enfrentar o sistemático extermínio da juventude negra, pobre e moradora da periferia dos grandes centros urbanos e também do interior do Brasil. A taxa de homicídios entre jovens negros é quase quatro vezes maior em relação aos jovens brancos assassinados. Não menos preocupantes são os problemas sociais enfrentados pela população negra, que ainda sofre com o desemprego, o subemprego, a falta de moradia, os péssimos serviços de saúde e educação e a falta de oportunidades.

Haverá resistência para defender a manutenção de ações reparadoras para o povo negro brasileiro, como a política de cotas. Ou a titulação de terras quilombolas, cerceadas pelos interesses dos grandes latifundiários do agronegócio, os mesmos que, ainda nos dias de hoje, se valem de mão-de-obra escrava em suas terras, mas gritam em nome da moralidade para manter seus privilégios.

O movimento e os trabalhadores e trabalhadoras negras não se deixam intimidar e prometem não largar a mão de ninguém, organizar a luta por direitos e respeito independentemente das ideias reacionárias do novo presidente. “Nós temos um desafio muito grande que é como a gente vai fazer o enfrentamento a tudo isto que está colocado”, diz a secretária de Combate ao Racismo da CUT, Maria Júlia Nogueira.

Precisamos priorizar o enfrentamento ao racismo, um dos fatores estruturantes das desigualdades no Brasil, propondo políticas públicas para atacar o problema. Não há outra saída que não seja através da mobilização, organização e luta. Sairemos às ruas, exporemos a indignação, mostraremos nossa força e unidade. Como lembra secretário geral da Condsef/Fenadsef, Sérgio Ronaldo , “um povo que resistiu durante quase 500 anos não vai se deixar abater por um governo que recebeu 57,7 milhões de votos. Ou seja, pouco mais do que a metade da população negra e parda atual. A luta do povo negro continuará e seremos cada dia mais fortes”.