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13/11/2018
Combate ao racismo: no governo Bolsonaro, luta precisará ser ampliada.

13/11/2018 - O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado às discussões sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695 e procura ser um mote para refletirmos sobre a resistência do negro à escravidão e as graves desigualdades que ainda persistem em nosso país. 

Ao lado de entidades como a CONDSEF/FENADSEF e CUT, o SINTSEF-BA acredita que entender a dinâmica econômica e social da desigualdade entre os brasileiros brancos e afrodescendentes é fundamental para a construção de sociedade democrática e justa que desejamos. O debate sobre consciência negra deve ser diário e incansável.

Sobretudo num momento político como o atual, em que o Brasil elegeu um presidente sem projeto para, cuja marca de expressão são as declarações públicas racistas, homofóbicas e misóginas. Manifestações reiteradas e impunes de insultos e ameaças à própria existência de índios, afrodescendentes, mulheres e LGBTs, que oferecem justificação a execuções extrajudiciais pela polícia. Estamos falando do mesmo país onde a juventude negra vem sendo exterminada sistematicamente. Segundo a Anistia Internacional, dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano no Brasil, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros. Esse genocídio é a materialização do racismo.

A partir de janeiro, Jair Bolsonaro não será “apenas” mais um racista: ele será o racista que ocupa o posto máximo do Executivo nacional. Será um presidente racista no país mais negro fora do continente africano. Se antes já lutávamos, agora precisaremos redobrar esses esforços para, por exemplo, dar continuidade às políticas públicas e ações afirmativas promovidas pelos governos Lula e Dilma, na última década. Políticas como a das cotas raciais nas universidades públicas, que ofereceu mais de 1 milhão de bolsas a estudantes de baixa renda, a demarcação de terras quilombolas, a valorização do salário mínimo e os avanços da legislação brasileira no combate à discriminação racial.

IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

Mesmo com todos esses avanços, a diferenciação por raça ainda é uma das mais frequentes formas de exclusão social praticadas no país. No mercado de trabalho, os negros têm salários menores, pior inserção ocupacional e são maioria nas taxas de desemprego. Não conseguiremos consolidar um país com direitos iguais ignorando o sofrimento histórico imposto aos negros. Por isso é que o SINTSEF-BA sempre pauta em sua base debates fundamentais como o combate ao racismo e a igualdade de oportunidades no serviço público.

Uma sociedade só pode ser justa se um cidadão tiver as mesmas possibilidades de acesso aos níveis mais básicos de bem-estar social e que seus direitos não sejam inferiores aos de outros grupos. É um caminho para garantirmos uma maior participação do povo negro nos espaços de poder e acabarmos com a discriminação e a desigualdade social que muitos insistem em não reconhecer. 

RESISTÊNCIA

Para Antonio “Capila” Sobrinho, Coordenador de Políticas Sindicais do SINTSEF-BA, a hora é de interligar as lutas para não sermos engolidos por esse projeto de extrema direita e fascista que assume o poder. “A unidade é fundamental neste momento. Nossa trincheira será nas ruas e precisaremos da força reunida de todos os setores, para construirmos juntos uma ampla frente democrática e popular”, explicou.  Por isso é importante acompanhar o calendário de atividades propostos pelas entidades, como a CUT, e engrossar a mobilização.

Em 20 de novembro, em Salvador, acontecerá a 39ª Marcha da Consciência Negra, às 14h, no Campo Grande. No dia 22/11, o SINTSEF-BA e a CONDSEF/FENADSEF participarão do Dia Nacional em Defesa da Previdência Social e do Ministério do Trabalho. Atos e protestos serão realizados conjuntamente com a CUT e demais centrais sindicais e entidades dos movimentos sindicais e sociais. O momento é de luta e resistência contra o fim das aposentadorias e o fim do Ministério do Trabalho e Emprego. Junte-se a nós.