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29/10/2018
Não tenham medo, nós estaremos aqui!

29/10/2018 - Os resultados das eleições de ontem, a princípio, parecem desanimadores. Afinal, elegemos para presidente aquele que talvez seja o mais desprezível candidato a um governo brasileiro desde a redemocratização, capaz de aliar os discursos fascistas escancarados (intolerância, violência, racismo, homofobia, machismo, misoginia, xenofobia) ao falso moralismo de sempre da velha política (práticas que nem sempre estão de acordo com o discurso, como sonegação de impostos, recebimento de propina, uso de caixa 2 para fraudar eleições). Alguém já falou que só se derrota o fascismo deixando que chegue ao poder, pois enquanto for uma ideia, ele é invencível. Enquanto estiver no poder, Bolsonaro precisará provar sua capacidade de governar e articular um projeto minimamente consistente para o país que não se apoie apenas em boatos de internet e em destruir tudo o que foi construído anteriormente.
Também há notícias boas quando olhamos os números que saíram das urnas: haverá resistência democrática. Bolsonaro vai depender do Congresso para aprovar promessas de campanha. E por lá, as bancadas dos partidos que lhe fizeram oposição estão entre as maiores eleitas: o DIAP identificou que a bancada sindical terá, apenas na Câmara Federal, 33 representantes. Na região nordeste, a oposição elegeu nada menos que quatro governadores. Em toda a Bahia, por exemplo, Bolsonaro só venceu em dois municípios. Em Salvador, a candidatura de Fernando Haddad foi referendada por 72% dos votos válidos. Nas cidades do Recôncavo, como Cachoeira e Santo Amaro da Purificação, de constituições sociais, históricas e culturais permeadas pela identidade afro-brasileira, esse percentual chegou a mais de 80%! Esses resultados nos enchem de orgulho e alegria, pois mostram a eficácia do diálogo, do esforço da militância ao longo dos últimos anos.
Se desde sua fundação enquanto entidade sindical, o SINTSEF-BA, ao lado da CUT e a CONDSEF, nunca deixou de estar nas ruas, com os trabalhadores e os movimentos sociais e chamando sua base para a participação política, é aqui que vemos os resultados desses esforços. A militância e o ativismo fazem a diferença no combate às políticas intolerantes e na luta por manutenção e ampliação de direitos. Nenhuma de nossas conquistas foi dada sem luta. E é assim que continuará sendo nos próximos anos.
A força da resistência e o grau de unidade alcançado nos últimos anos, que se intensificou desde a instauração do golpe que destituiu a presidenta Dilma, prosseguirá com ainda mais força. Não nos calaremos. Seguiremos aqui mobilizando nossa base e dispostos a lutar ainda mais para assegurar nossos direitos. "Uma antiga canção da época da ditadura militar, que embalou a resistência e a luta democrática, já nos ensinava: “Desesperar, jamais/ Cutucou por baixo, o de cima cai/ Cutucou com jeito, não levanta mais”. Ou, como bem resumiu Fernando Haddad, em seu discurso após a apuração dos votos, quando falou do valor da coragem na defesa da justiça: "Não tenham medo, nós estaremos aqui”.