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28/09/2018
Todas e todos contra o ódio: neste sábado, vamos às ruas gritar #ELENÃO.

Todas e todos contra o ódio: neste sábado, vamos às ruas gritar #ELENÃO

28/09/2018 - O Brasil terá um dia de protestos neste sábado, 29/09, contra o candidato de extrema direita e seu discurso de ódio. O SINTSEF-BA apoia e participará da mobilização do #EleNão, que acontecerá no Campo Grande, em Salvador, a partir das 14h e em diversas outras partes do país.  A ideia é protestar e resistir à campanha do candidato, marcada pelo racismo, homofobia e que inferioriza o gênero feminino.

As palavras de ordem "Ele Não, Ele Nunca" surgiram nas redes sociais com um grupo chamado "Mulheres unidas contra Bolsonaro", contra o machismo, a misoginia e os preconceitos.  Em pouquíssimo tempo, o grupo ganhou adesões e hoje já reúne mais de três milhões de integrantes. Por conta disso, sofreu ataques cibernéticos de seguidores do candidato, foi invadida e posteriormente resgatada, ampliando a sua visibilidade.

No Brasil, as mulheres têm nível educacional maior do que o dos homens, mas seus salários são em média 24% menores do que os deles nas mesmas ocupações. Também são as mais atingidas pelo desemprego, apesar da vantagem aparente da escolaridade. Dedicam em média 18,1 horas semanais aos trabalhos domésticos e de cuidado, enquanto os homens dedicam 10,5 horas. São justamente as mulheres da população mais economicamente vulnerável que estão reagindo e dizendo NÃO ao candidato que as ofende; elas, que dependem de creches para poder trabalhar, que não podem contratar alguém para dar conta da sobrecarga do trabalho doméstico ou são, propriamente, trabalhadoras domésticas.

A manifestação deste sábado estabelece uma frente de resistência entre as brasileiras, que não se intimidaram e estão fazendo a diferença, mudando a correlação de forças em favor de um país livre e justo. Contrapondo-se ao ódio e a intolerância, o movimento defende um Brasil onde prevaleça o diálogo, o respeito às diferenças e mais leis capazes de reduzir o abismo da desigualdade social.

O presidenciável alvo das manifestações é a face mais extrema da direita, que tenta arrastar o país à direção oposta à civilidade, ao defender, por exemplo, o uso de tortura e a liberação do uso de armas para a população. Considera os direitos humanos como um “esterco da vagabundagem”, afirmou ter “orgulho de ser preconceituoso” e preferir “um filho morto que um filho gay”, além de já ter defendido que mulheres devem ganhar menos que homens porque engravidam e têm direito à licença-maternidade. Todas essas declarações – assim como as igualmente desastrosas proferidas por seu candidato a vice, o General Mourão, – foram documentadas em vídeo e amplamente divulgadas pelos meios de comunicação, disponíveis na internet.

O movimento de resistência chamou à atenção, inclusive, de celebridades internacionais, que manifestaram solidariedade e apoio, e de veículos de imprensa como o jornal francês Le Monde, que vê nessa candidatura “uma vergonha nacional única” no Brasil.

O papel do Estado não pode ficar restrito ao poder repressor. Queremos um país em que as desigualdades sejam enfrentadas com políticas públicas, de inclusão social.  A candidatura que conjuga o que há de pior em nossa sociedade – machismo, autoritarismo, neoliberalismo e racismo - é a expressão mais visível da trágica inversão de valores democráticos que enfrentamos na atualidade. Contudo, a resposta das mulheres também é bem clara e por isso tem sido abraçada pela população. Neste sábado, 29/09, a partir das 14h, junte-se a esta luta. Vamos às ruas repudiar esta candidatura e gritar a uma só voz: #EleNão.