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13/03/2018
Coletivo das CUTs Nordeste debate organização política no cenário do golpe.

Para representantes sindicais, é preciso aprofundar discussão política sem abdicar da autonomia.

13/03/2018 - O contexto é por demais conhecido: o Brasil pós-golpe, com retrocesso e cerceamento da democracia. Um Estado sem políticas públicas, retirando direitos e em plena marcha da desindustrialização. Em um ambiente assim, instável, onde qualquer prognóstico pode soar apressado e mudar a qualquer instante, quais os caminhos que uma organização como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) precisa seguir para manter seu caráter autônomo e democrático e seguir no compromisso de defender os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora?

Questões com essa complexidade começaram a ser tratadas esta semana em Salvador por ocasião do Fórum Social Mundial, que acontece em diversos ambientes da capital baiana. A CUT tem participação destacada no evento. Além da programação da Tenda Futuro do Trabalho, no campus da UFBA, em Ondina, dirigentes e representantes cutistas da região Nordeste reuniram-se no auditório do Sindae, em Salvador, para um intercâmbio de experiências e debates que serão somadas às discussões do Fórum.

A Secretária de Formação da CUT Nacional, Rosane Bertotti, participou do evento, e lembrou que o grande desafio que a conjuntura pós-Reforma Trabalhista propõe para o movimento sindical é o de repensar o modo de organização. “Não temos uma história de lutas fundada no enfrentamento físico. Nossos processos de mudança não ocorreram através de grandes rupturas, mas foram essencialmente políticos, através de muita articulação, negociação e mobilização. E dessa forma crescemos, mas já não é mais possível pensar o movimento sindical apenas por um único ponto de vista”, pontuou.

Pelo olhar dos interesses do capital, que dita as regras de sustentação do golpe, o sindicalismo não precisa existir. Ao capital pouco interessa o que o trabalhador pensa ou deseja numa negociação. E assim, na ausência de um Estado garantidor de direitos, vai se impondo a barbárie. Por isso os representantes sindicais nordestinos foram unânimes em concorda que a única saída possível é navegar contra essa maré.

Para os trabalhadores, é hora da CUT aprimorar aquilo que sabe: o debate da luta de classes e a luta efetiva da representação sindical, sem deixar de lado a política. Com a proximidade das eleições, é preciso aprofundar o debate. A vida dos trabalhadores e trabalhadoras exige esse investimento. No cenário que está posto, é fundamental preservar a autonomia e não fazer sindicalismo apolítico. Afinal, as soluções para os problemas da coletividade prescindem da política e a sua demonização só interessa à direita.

O momento é de atenção e luta, de mostrar todo o poder organizativo da CUT. O engavetamento da Reforma da Previdência é o exemplo mais imediato do sucesso dessa estratégia: foi através da ação sindical que a reversão foi conquistada. Se há uma dificuldade na batalha, no enfrentamento, a CUT confia na sua grande capacidade de organização e habilidade em conversar, dialogar e construir para se adequar aos novos tempos e construir uma nova Central e um novo Brasil em 2019.