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16/08/2017
Rombo fiscal revela a incompetência do governo e reforça luta contra desigualdades.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

16/08/2017 - O governo golpista de Michel Temer anunciou, nesta terça-feira (15), o tamanho do rombo nas contas públicas, mais um fruto evidente de sua incompetência administrativa. O déficit fiscal de 2017 passou de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões. Para 2018, a meta também subiu de R$ 129 bi para R$ 159 bi, acentuada pela escandalosa distribuição de verbas, no toma-lá-dá-cá administrativo para barganhar apoio dos deputados no Congresso e assim escapar do julgamento por corrupção no STF. A previsão para os próximos anos também são sombrias.

A presidenta Dilma Rousseff e entidades como a CUT reagiram ao anúncio. Para a central, a meta fiscal comprova a política econômica desastrosa do ilegítimo e golpista governo Temer. Dilma, por sua vez, alertou que a política de Temer e Meirelles vai levar à “paralisia da máquina federal e a depressão da atividade produtiva”.

Além dos números catastróficos, o governo anunciou também uma série de ataques ao funcionalismo federal: praticamente congelou seus salários até 2019, aumentou alíquotas da Previdência de servidores e vai eliminar 60 mil vagas que estão em aberto, para “economizar” R$ 7,9 bi e aprofundar o desmonte do Estado.

Os novos indicadores econômicos limitarão ainda mais os já mirrados investimentos públicos na área social e outras áreas estratégicas, como saúde e educação, prejudicando sobretudo as camadas mais pobres da sociedade. Os lucros dos setores mais ricos do país, no entanto, continuam intocáveis.

Como pesquisadores do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) já alertavam, no ano passado, em depoimento ao jornal El País, grande parte do que os empresários ricos ganham não é tributada. Um trabalhador com salário de 8.000 reais paga um imposto de renda de 27,5%. Já um dono de uma grande empresa que fatura mais de 500.000 reais a título de lucros e dividendos pode não pagar nada como pessoa física.

Há muito que entidades sindicais, como o Sintsef, centrais como a CUT e confederações, como a Condsef/Fenadsef defendem que, ao invés de penalizar o setor público e seus trabalhadores, que já enfrentam décadas de descaso com baixas remunerações e parcos investimentos em suas áreas de trabalho, um novo eixo capaz de reduzir efetivamente a dívida pública seria o combate à sonegação e uma redistribuição da carga tributária. Como as pesquisas não cansam de mostrar, há espaço para aumentar a tributação das camadas mais ricas da sociedade, distribuindo a fatura de forma mais justa entre ricos e pobres.

O que falta, na verdade, é interesse político em enfrentar a questão. Por isso é tão importante reagir ao que nos está sendo empurrado gole abaixo pelos golpistas. Não há outra alternativa democrática para mudar o futuro que não seja pela mobilização, luta e pressão. A correlação de forças só será mudada através da participação e envolvimento de todos. Junte-se a nós nesta luta e ajude a construir o futuro que queremos.

(com informações da CUT/ El País)