Editorial

EDITORIAL

04/04/2016
Transformação da CEPLAC em Departamento compromete sua atuação social.

EDITORIAL - 04/04/2016 - De tão absurda, a notícia até parecia mais um factoide jocoso do Dia da Mentira, mas se confirmou como verdade. Sem ouvir os trabalhadores e representantes da sociedade, o governo publicou no Diário Oficial da última sexta-feira, 01/04, um decreto que transformou a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em um Departamento vinculado à Secretaria de Mobilidade Social do Produtor Rural e Cooperativismo, do Ministério da Agricultura, reduzindo as suas competências institucionais e sociais.

A mudança vinha sendo encaminhada nos bastidores (o que motivou até um veemente protesto do Sintsef-BA, em fevereiro deste ano), e, a despeito de uma grande pressão pelo seu adiamento para um debate mais aprofundado, acabou se concretizando. Atinge diretamente as funções de pesquisa, inspeção e difusão de tecnologia que o órgão desempenha. Além do cacau, atualmente a Ceplac atua em diferentes áreas de extensão rural, como a agricultura orgânica, na pesquisa sobre cultivo de seringueiras, dendê e em variados campos de produção como a apicultura, a piscicultura e a pecuária.

O novo formato também ameaça o modelo de manejo responsável do meio-ambiente promovido pelo órgão. Compromete seriamente o desenvolvimento sustentável com qualidade de vida no ambiente rural da região, interferindo tanto na vida do pequeno agricultor, quanto na dos grandes proprietários da lavoura cacaueira, que já sofrem com pragas como a vassoura-de-bruxa e a queda na produção.

Ninguém nega que a Ceplac precisa passar por transformações. Há mais de uma década o Sintsef-BA luta por seu fortalecimento e levanta a bandeira da reestruturação e da valorização dos servidores. Por isso mesmo, o sindicato está novamente mobilizando esforços, reunindo lideranças regionais, estaduais e nacionais para mudar o atual decreto.

Esta conversão em departamento com papel mais restrito no âmbito do Ministério é exatamente o oposto do que precisa a sociedade, neste momento. Ela acelera o já avançado processo de degradação da Ceplac, colocando-a na rota da extinção. Precisamos de alternativas que, ao invés de ampliarem o abismo social em que nos encontramos, favoreçam a inclusão, democratizem o acesso e avancem na quantidade e qualidade dos serviços prestados à sociedade. Acreditamos que estas devam ser metas imprescindíveis a qualquer gestão pública.