Editorial

EDITORIAL

15/03/2016
O ódio e a política & O ódio à política.

15/03/2015 - Desde junho de 2013, muito tem se falado em guinada à direita ou da nova onda conservadora. Nos protestos de rua e nas redes sociais, o comportamento padrão é negar a esquerda em tom de fúria, e chamar a população para se indignar com Lula, Dilma Rousseff, o Foro de São Paulo, as altas taxas de impostos ou com \"a roubalheira do PT\". Mesmo desarticulada e sem argumentos que resistam a um exame mais criterioso, a ira sorridente dessa nova direita ganha novos adeptos a cada dia, com um invejável poder de sedução, algo sem precedentes desde a redemocratização do Brasil.

Na manifestação de domingo na Avenida Paulista, políticos que ajudaram a convocá-la, como Aécio Neves e Geraldo Alckmin, do PSDB, foram vaiados e expulsos do local. O fato seria uma deliciosa ironia, se não indicasse uma preocupante mudança de rumos e consequências ainda mais perigosas que o oportunismo político de uma oposição que até hoje não se conforma em ter perdido a disputa eleitoral de 2014.

A onda denuncista, alimentada pela oposição, imprensa e determinados segmentos da elite brasileira que querem a todo o custo o fim da era petista, acaba relegando toda a classe política para a mesma – e malcheirosa – vala comum da corrupção e fisiologismo. Cresce a indignação popular, a descrença nas instituições e com isso a enganosa nostalgia de tempos passados, como o Regime Militar em que “não havia corrupção” (ideia que, sabemos hoje, é bem falsa: o que existia, na verdade, era a CENSURA à divulgação e investigação desses crimes).

Até mesmo organizações internacionais, como a Frente Grande Argentina, reconhecem que os grandes avanços nos últimos anos em questões sociais e econômicas para os mais necessitados têm causado um profundo mal-estar nos setores de poder acostumados ao enriquecimento às custas da fome e da exploração de nossos povos. Em nota pública, diante dos recentes acontecimentos no Brasil, o partido aponta com precisão que “esse desconforto não foi só para capacitar os direitos de nossos compatriotas, mas é muito mais profundo: os governos populares da região conseguiram construir e articular um modelo de desenvolvimento econômico, político e social que põe em crise receitas neoliberais do chamado ‘primeiro mundo’ e serviu para estabelecer novos equilíbrios na geopolítica internacional”.

A ascensão dessa multidão raivosa e fascista, surgida como contraponto a essas transformações da sociedade brasileira, tem fortalecido políticos mais nocivos, como o Deputado Jair Bolsonaro (PDC-RJ), que rechaça a bandeira dos Direitos Humanos e se constrói com o discurso de ódio e intolerância.  Enquanto isso, os efeitos da crise econômica repercutem em todas as esferas sociais, tanto no âmbito político quanto no âmbito social.

Uma vez que este fenômeno não é exclusividade do Brasil e tem ganhado força nos Estados Unidos e em diversos países da Europa (sobretudo após a crise da imigração), a Organização das Nações Unidas tem buscado formas de enfrentar a questão. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), discursos maniqueístas que dividem o mundo como preto e branco ou bem contra o mal, só levam ao caminho da selvageria. A ONU defendeu a aprovação ou o reforço de leis que proíbam a promoção do preconceito ou da violência. Outra ideia é que os meios de comunicação sejam utilizados para combater o discurso de ódio. Esse combate, destacou a Organização, é uma responsabilidade coletiva dos países, das pessoas e da mídia.

Entidades como o Sintsef-BA, a CUT e a Condsef, sempre militaram em favor da a coexistência pacífica de uma sociedade pluralista, baseada no respeito às diferenças, onde prevaleça a tolerância entre os povos. Acreditamos que a promoção dessa sociedade igualitária, que prime por valores como a dignidade da pessoa humana, passa necessariamente por mais investimentos na educação e pela implementação de mais políticas públicas que busquem garantir esses direitos.