Editorial

EDITORIAL

08/03/2016
08 de março: não se cale e vá á luta!

Na oportunidade das celebrações em torno do Dia Internacional da Mulher, neste 08 de março, o Sintsef-BA destaca um tema por demais conhecido, mas ainda muito atual: a violência contra a mulher. No Brasil, mesmo com o avanço dos debates e da legislação, o assunto está longe de desaparecer das estatísticas. Mecanismos como a lei 11.340, conhecida como Maria da Penha, que vigora desde 2006, tentam coibir esta prática infame em nossa sociedade.

Ano após ano, as mulheres sofrem com o acúmulo de jornadas de trabalho, por conta das tarefas domésticas a elas imputadas. São exploradas e mal remuneradas na vida profissional e obrigadas a enfrentar o caos das cidades, com a ausência de direitos. Resistem ao assédio no transporte coletivo, ao perigo do estupro nas ruas mal iluminadas e a omissão dos governos diante desse cenário.

Os problemas são velhos conhecidos e parte deles tem suas origens lá atrás, em nossas tradições culturais e papéis sociais que se perpetuam. Ao mundo masculino cabe o estereótipo da força, do desbravar e prover. Já no enquadramento moral e religioso da sociedade patriarcal, por exemplo, a mulher é educada para ser humilde, subserviente, gentil, para não contestar.

Diante de construções sociais tão machistas e sexistas, uma mudança mais profunda do comportamento passaria necessariamente pela educação. Uma tentativa de avançar por este caminho foi feita ainda em 2014, por ocasião dos debates no Congresso Nacional para a aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação), que normatizou por dez anos as diretrizes e metas da educação. Grupos conservadores, sobretudo da bancada evangélica, retiraram do texto a expressão gênero por equivocadamente associá-la à promoção da homossexualidade e à destruição da família tradicional.

Este ano a história se repetiu em outra instância, igualmente grave, quando a Câmara dos Deputados retirou a expressão \\\"incorporação da perspectiva de gênero\\\" do âmbito das atribuições do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos. Sindicatos, movimentos sociais e centrais sindicais repudiaram a ação. Para a CUT, “a perspectiva de gênero é fundamental para a construção da igualdade entre mulheres e homens e está prevista nos princípios e diretrizes do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, aprovados e reafirmados nas três Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres já realizadas.”

O crescimento do peso político de grupos ultraconservadores, como os ruralistas e os evangélicos, na atual configuração do Congresso Nacional favorece o surgimento de retrocessos na agenda dos direitos humanos como esse. Mas é preciso não se intimidar e reverter esta realidade. Os desafios são grandes, mas quanto maior for nossa capacidade de resistência, de homens e mulheres, todos juntos, maiores serão as chances de consolidarmos uma sociedade mais justa e igualitária, livre de mecanismos que favoreçam a discriminação de gênero, a exclusão e a subordinação.