Editorial

EDITORIAL

03/01/2017
Editorial – 03/01/2017

Nem bem encerramos o ciclo simbólico de um ano sufocante e angustiado, como foi 2016, eis que o ano novo começa nos assombrando: chacina e feminicídio em Campinas, massacre num presídio de Manaus. Aparentemente distintas, essas manifestações de violência extrema são também consequências visíveis do desrespeito aos direitos humanos mais básicos que vivenciamos na atualidade.

A tensão entre igualdade e diferença é fato preponderante nas sociedades capitalistas atuais e tem desencadeado processos de instabilidade e violência na convivência entre os diferentes. Em 2016, a democracia brasileira foi vitimada por um golpe que interrompeu o importante ciclo de conquistas sociais da década anterior. Mais que o impeachment de uma presidenta eleita por 54 milhões de votos, o que foi desrespeitado no processo foi o direito de escolha da maioria.

Para alcançar os objetivos pretendidos, as elites brasileiras disseminaram através dos veículos de comunicação uma campanha ideológica extremada, insuflando o ódio e estimulando a intolerância com informações distorcidas e descontextualizadas. Assim, as diferenças passaram a ser demonizadas e com elas as bandeiras empunhadas por minorias organizadas, entidades sindicais e movimentos sociais e populares - que resistiram ao golpe e sempre estiveram historicamente engajados nas lutas por respeito e por um mundo mais justo e solidário.

Diante do golpe no Brasil e do avanço global da agenda de extrema-direita, o enfrentamento da intolerância tornou-se um tema cada vez mais central na pauta do Sintsef-BA, da CUT e da Condsef. As entidades estão conscientes desse desafio monumental que têm pela frente e ainda mais sabedoras que a luta por respeito e equidade de direitos não pode ser dissociada das lutas trabalhistas.

Além das atividades formativas que promove em sua base para destacar o respeito às diferenças, o Sintsef-BA continua buscando novas maneiras de aprimorar esse debate. Em 2016, formou a primeira turma do curso de Direitos Humanos e Movimentos Sociais, resultante de uma parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) com o propósito de contribuir na formação cidadã de indivíduos, estimulando a consciência crítica, a cidadania, a capacidade de interpretação dos fatos sociais e de suas inter-relações.

Se parece distante a ideia de um mundo justo e solidário, desistir da luta não é uma opção válida. Ao contrário, a hora é de trabalhar e insistir na mobilização social. É assim que o Sintsef-BA continuará ao longo deste ano que ora se inicia: acreditando na democracia, nos direitos humanos, no respeito às diferenças. Buscando a unidade em sua base, resistindo às opressões e lutando por novos espaços de intervenção. Contamos com você. Feliz 2017.

Horário Especial

Até 03/02/2017, o Sintsef-BA funcionará em regime de meio expediente, das 08:00 às 13:00h. Também já foi definido o recesso de carnaval, no período de 22/02/2017 a 01/03/2017. O retorno aos horários normais de funcionamento acontece em 02/03/2017.