Editorial

EDITORIAL

15/12/2016
Direitos Humanos em tempos tortuosos

Em 10 de dezembro de 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde então, a data tem servido de referência para a luta em prol da promoção dos direitos civis, políticos, sociais e ambientais previstos no documento.

O ano chega ao fim confirmando a tendência crescente de gravíssimas violações desses direitos em todo o planeta e minando as esperanças de um futuro mais justo e solidário. 2016 consolidou em nível global o avanço de projetos políticos de direita e extrema-direita que desprezam e atacam violentamente as liberdades individuais e conquistas sociais.

Fenômenos como Donald Trump, nos Estados Unidos, Marine Le Pen, na França, e a saída do Reino Unido da União Europeia, revertem todo o esforço político e econômico de integração no mundo. Na América Latina está chegando ao fim um ciclo de governos de esquerda marcados por expressivo crescimento e inclusão social, graças à crise econômica e às articulações das oligarquias econômicas despojadas do centro do poder neste período. Na Europa e nas Américas tem prevalecido a imposição de uma austeridade econômica, que retira direitos e amplia as desigualdades sociais, em prol de um Estado mínimo e atrelado aos interesses insaciáveis do mercado financeiro.

O Brasil não fica de fora dessa tendência. Este ano sofremos um novo golpe de Estado que depôs uma presidenta eleita legitimamente com 54 milhões de votos com o aval de uma mídia suspeitíssima e parcial, um judiciário omisso e uma Câmara e Senado afundados em denúncias de corrupção.

O resultado é um país à beira do abismo, sob o comando de um governo ilegítimo que quer empurrar a todo custo a sua agenda de retrocessos. As relações de trabalho, já fragilizadas com as grandes interferências do cenário globalizado, como as novas tecnologias e o desemprego, serão ainda mais afetadas com a falta de investimentos e as alterações propostas na legislação, que desprotegerão ainda mais os trabalhadores. Setores essenciais como a educação e saúde públicas, já bastante precarizados, poderão entrar em colapso sem a devida atenção do Estado.

Estando o poder e a renda mais e mais concentrados nas mãos de uma minoria privilegiada, os impactos sociais, políticos e ambientais não poderiam ser diferentes: aprofundamento das desigualdades, do individualismo, da exclusão e da violência em todas as suas vertentes (racismo, machismo, homofobia, etc), inviabilizando a convivência harmônica em sociedade.

Uma mudança de paradigmas se faz necessária e é urgente. Para o Sintsef-BA, a Condsef e a CUT, cuja história de luta contra as opressões sempre esteve alinhada com a defesa de interesses humanitários, é preciso renovar a cada dia o espírito combativo de enfrentar as violações de Direitos Humanos e seguir no compromisso de despertar nos seus espaços de atuação a importância de dignificar e valorizar a pessoa humana.